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Por que ficamos com raiva?

A raiva é um sentimento normal que todos temos. O problema, portanto, não é se estamos com raiva, mas o que cria essa raiva e se sentimos que temos controle sobre ela.

A raiva de que estamos falando aqui é, principalmente, o tipo repentino ou imprevisível de raiva que a criança não consegue entender. No entanto, todas as formas de raiva dos pais podem ter um impacto negativo na criança se for uma coisa frequente no cotidiano. Os próprios pais sempre se surpreendem com a força e a imprevisibilidade da raiva que toma conta deles. Esse tipo de raiva normalmente acontece quando alguém está cansado ou estressado e se sente preso, desamparado e impotente diante dessa situação com a criança.

Os pais querem o melhor para seus filhos e querem ser bons pais. Apesar disso, muitos pais acham que eles amedrontam seus filhos por meio da raiva ou de comportamentos violentos e ficam preocupados sobre com que isso afeta as crianças. Na ausência de soluções, muitos pais minimizam o impacto que a raiva tem sobre seus filhos e falham o menos possível sobre o assunto.

Muitos pais que procuram ajuda para o controle da raiva querem interromper esse padrão da raiva entre as gerações. Eles não querem ficar com raiva dos filhos, como suas mães ou pais fizeram com eles. Seja de forma boa ou má, a infância deixa uma marca. A forma como somos tratados na infância pode ter um impacto em como interagimos com os outros quando adultos. Se nós sentimos que somos tratados sem respeito por nossos pais, é mais provável que reajamos com raiva se sentirmos que não temos o respeito que esperamos dos filhos. Velhos sentimentos de vergonha e injustiça podem despertar em nós sentimentos negativos desnecessários sobre nós mesmos ou a criança. Assim, podemos entrar em um ciclo vicioso de emoções e pensamentos negativos, que aumentam a probabilidade de raiva.

Outros pais acham que ficam com mais raiva dos filhos do que seus pais ficavam deles. Eles devem ter dificuldades de entender por que eles reagem de forma tão intensa e ficam envergonhados da raiva à qual expõem seus filhos. Esse tipo de raiva pode acontecer com pessoas que vivem de forma muito estressante e exigem muito de si mesmas. As tentativas bem-intencionadas de fazer o melhor para os filhos e a família acabam em raiva e frustração. O material sobre controle da raiva pode ajudar a nos tornar, como pais, conscientes de que sempre temos uma escolha para interpretar uma situação com a criança. A forma como pensamos sobre a criança, desrespeitosa ou absorta em seu próprio mundo, influencia as emoções que vivenciamos e como percebemos as escolhas que fazemos nas nossas atitudes.

 

Método cognitivo: o modelo ABC

O controle da raiva para os pais se baseia num modelo cognitivo que tem como ponto de partida a conexão entre pensamentos, emoções e comportamentos. Temos uma conversa interna com nós mesmos, geralmente caracterizada por pensamentos negativos automáticos dos quais raramente estamos conscientes. Os pensamentos negativos automáticos mais comuns podem ser “eu sou um(a) pai/mãe ruim” ou “a criança não me respeita”.No modelo cognitivo, os pais se concentram nesses pensamentos automáticos negativos e aprendem que, mudando a forma de pensar, podem mudar as emoções que sentem, demonstrando outras formas de comportamento com a criança.

O modelo ABC é amplamente usado na terapia cognitiva para ajudar as pessoas a trabalharem sistematicamente para mudar pensamentos, emoções e comportamentos. O “A” é a situação, o “B” é o pensamento e o “C” é a emoção e a reação física. O modelo ABC é uma forma de ilustrar a relação entre situação, pensamentos e emoções. Os pais treinam a capacidade de estar abertos a diferentes interpretações (B) da situação (A) com a criança, estar conscientes dos pensamentos negativos (B) sobre si mesmos e a criança e adquirir melhor controle das emoções que afloram (C).

Um melhor controle da raiva não acontece por si só: é preciso treiná-lo ao longo do tempo em situações com a criança. Um exercício bem-sucedido dá a sensação de domínio da situação com a criança, em vez da sensação de impotência que aumenta a probabilidade de raiva e violência.